domingo, 13 de maio de 2012

A dor da saudade, seus olhos e seu sorriso.


Sabe quando você escreve um texto lindo e ele simplesmente some? Então, foi exatamente o que aconteceu comigo. Comecei esse post no domingo passado -já já explico o porquê- e hoje quando fui finalizá-lo o bendito tinha desaparecido. Tava lindo. Juro. Vai ser impossível escrever daquele jeito, mas tentarei.


@tamybertola

         A perda é inevitável. A saudade dói. A vontade de ver, nem que seja só por alguns instantes, quem já se foi é tão grande que faríamos qualquer coisa por esse momento. Perdi poucas pessoas, alguns familiares que não tinha contato direto e alguns amigos não tão próximos, mas a perda que mais me doeu, e que ainda dói, foi a de uma pessoa incrível. Iedda Hartmann. Era incrivelmente perfeita. Sabe aquelas senhorinhas super cheirosinhas, fofinhas e queridas?? Multiplique por 9000000 e você terá uma ideia parcial de como ela era.
Ela foi a responsável por me ensinar tanta coisa... me ensinou que a persistência é companheira do sucesso.. que sonhos são possíveis apesar de todas as dificuldades.. e que nunca, nunca, é tarde pra aprender algo novo e ser feliz. Além de tantas outras coisas, no auge de sua fofura me ensinou a música. A partir do primeiro dia que eu a vi tocar piano, este se tornou muito mais que apenas um instrumento que eu admirava. E ela muito mais que uma pianista talentosíssima.
Já estava cansada, não dava mais aula pra ninguém há uns bons anos e mesmo assim quis me ensinar. Com suas mãos trêmulas transmitia tanto sentimento, tanto amor através daquelas músicas perfeitas que era emocionante ver aquilo tão de perto. Sempre entusiasmada com a minha chegada, me recebia duas vezes por semana em sua casa -as vezes três, as vezes quatro, as vezes mais- e tinha uma paciência comigo que eu nunca vi no mundo. Eu com meus bons 12 anos –geralmente piano se começa com 4, 5 anos- não tinha ideia de como tudo aquilo era perfeito.
Seus abraços, que saudade. Seu sorriso e suas histórias... Seus olhos. De um azul hipnotizante e que lacrimejavam ao me ver tocar, mesmo as músicas mais simples. Me chamava de “minha menina”. Dizia que nunca tinha tido aluna como eu. Eu que nunca vou ter professora como ela. Falava que eu aprendia muito rápido e que naqueles quase dois anos de aula eu já tinha avançado 4 na programação de 10 anos de piano -curso completo-. Era ela que me ensinava bem demais e que me encorajava e me incentivava a sempre crescer. Se emocionava com as surpresas que eu fazia com músicas que eu aprendia só pra tocar pra ela. Eu me emocionava ao vê-la levemente sorrindo imersa na paz que sentia enquanto seus dedos deslizavam pelas teclas. Agora me emociono com as lembranças e com a falta que ela me faz. Com a saudade que tenho. Ainda choro.
Esse ano, três anos de sua ausência se completam. Três dóidos anos. Era 11 de novembro de 2009, eu estava pronta pra ir pra uma festa e minha melhor amiga estava comigo. Quando estávamos saindo de casa o telefone tocou. Minha mãe atendeu, ficou séria, mas não demonstrou reação.. não queria me deixar magoada na hora de sair. Mas não adiantou. Eu senti. Ela não disse uma palavra a respeito, mas inexplicavelmente eu já sabia o que tinha acontecido. A dor tinha começado. Fui pra festa, fiquei mal a noite inteira. Chorava por dentro. Não contei pra ninguém o que tinha acontecido, minhas amigas estavam debutando, não queria estragar a noite delas. Fui pra casa e antes de dormir comecei a me desesperar percebendo que nunca mais eu ia vê-la, ouvi-la e abraça-la.
Vítima de câncer ela se foi cedo demais. Não deu tempo pra nos despedirmos. Mas deu tempo pra amá-la. E isso eu vou continuar fazendo até o dia em que eu me for também. O piano é nosso elo. Digo isso tendo certeza que, onde ela estiver, ainda me ouve. Dedico todas as músicas que eu toco pra ela. Todas. Mesmo minhas composições idiotas. To tendo dificuldade pra escrever tudo isso, entre soluços e lágrimas me desfaço em frente ao computador. Desculpem-me por isso. Já tinha escrito e contado sobre ela pra muita gente muitas vezes e ainda choro. Não consigo me acostumar com sua ausência. Nunca conseguirei. Dia 06 –domingo no qual eu comecei o post que eu perdi- foi seu aniversário. Esse post é em sua homenagem. Queria poder abraçá-la. Dizer o quanto eu sinto saudades e o quanto eu a amo. Dizer também que não existe, no universo, professora de piano mais incrível e perfeita que ela. Os dois anos que passamos juntas, compartilhando músicas e sorrisos, foram os mais incríveis que eu já tive. Com a trilha sonora feita por ela, não tinha como não ser perfeito. O piano é meu refúgio, graças a ela.
Dona Iedda, tenha certeza que a “sua menina” vai sempre lembrar de você com muito amor e tocar as músicas com a linda imagem de seus doces olhos azuis lacrimejantes combinado com seu sorriso terno e suas mãos tão ágeis e ao mesmo tempo tão suaves. Só queria mais um abraço. Te amo e sinto saudades.



Amigos, atendendo a pedidos, fiz algumas gravações durante a semana que fui pra Guaratuba. Desde que vim pra Curitiba, no ano passado, só tenho piano durante as férias, o que me impossibilita de praticar e aprender coisas novas com a frequencia que eu gostaria. Espero que gostem... por favor ignorem os erros que eu tive -não deu tempo de aperfeiçoá-las- e a desafinação do meu piano. 
:)




P.S. de preferência assistam no youtube, aqui a legenda das músicas ficam cortadas ;/


1) My Immortal - Evanescence


         

2) River Flows In You - Yiruma.



3) Someone Like You - Adele  



:*

Post da data.

Mãe, te amo!






"Nossa Senhora, parabéns aí! Ah, protege a minha, por favor. Amém!"


@victorsendoda

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Goodbye Home. Hello Ocean.

TO PUTO PORQUE ESTOU ESCREVENDO ESSE TEXTO PELA SEGUNDA VEZ. NA PRIMEIRA DEU PROBLEMA NA POSTAGEM. 

@victorsendoda:
 e o NMD?

@tamybertola:
 já vou postar lá umas bobagem

@victorsendoda:
 legal
 
 acho que vou fazer um ao contrário do te
 
 teu
 sobre sair de csa

@tamybertola:
 bboa boa


   Como visto anteriormente, a @tamybertola teve a ideia de escrever sobre saudade de casa. Afinal, qual estudante não a tem?! Pensando então na auto-satisfação dos Posts-Duplos, pensei em fazer um no mesmo estilo. Pensei então no sentimento de querer sair de casa. Afinal, qual estudante não o tem - exceto aqueles que já saíram e que sentem saudades?!

   Por experiência própria, sei do sentimento de saudade que a @tamybertola expõe no post anterior. Por experiência antes do sentimento de saudade e posterior a ela, sei também do sentimento de sair de casa. Não que aqui seja ruim, muito pelo contrário, afinal, comida, roupa e comida. No entanto, Filhos São Como Navios!
   Toda a natureza exemplifica isso. Desde os pássaros que aprendem a voar, aos leões que aprendem a caçar. Depois de suas lições, partem para a vida, colocam em prática tudo aquilo que, quando filhotes, aprenderam. Tanto quanto nós, que deixamos de viver a vida de nossos pais para construir a nossa. Com nossas próprias mãos. E nada melhor exemplifica essa construção, que sair de casa para a luta diária. Pássaros nascem para voar. Leões para tornarem-se reis. Meninos e meninas, homens e mulheres. E Navios são feitos para navegarem.
   Eu que já naveguei além-porto, não me contento em ficar atracado. Quero sair e navegar além-mar. Com o olho posto no horizonte para descobrir novas terras e pessoas. Não reclamo da mordomia do lar, mas não quero me acostumar. Não reclamo da proximidade familiar, mas o rotineiro ofuscou o brilho que era voltar e matar aquela saudade. Não reclamo das pessoas que ficaram, mas viagens, mudanças, selecionam suas amizades, e quero amizades boas, verdadeiras.
   Como uma ótima citação, de meu padrasto Odoni Quintana, sua carta destinada a mim.






(Te amo, Odoni, obrigado por tudo)


   
A saudade só é boa quando se volta. Mas para voltar é preciso ir.

DICA: guardem suas cartas. 

"Navegar é preciso. Amém!".

@victorsendoda

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Missing Home


@tamybertola

Quando penso em tudo que deixei pra trás pra seguir meu caminho a primeira coisa que me vem à cabeça é, sem sombra de dúvidas, a família. Não os deixei pra trás, muito pelo contrário, mas a distância, inevitável, surgiu. Fui pra longe e a saudade dói. Uma hora e meia de distância não é considerado longe em termos de distância, mas tive que abdicar dos abraços diários, dos carinhos maternos, da companhia paterna, da bronca olho no olho. A pequenina distância física nada se compara à afetiva, exponencialmente maior.
Sinto saudade do aconchego do lar que diverge tanto do aperto do apartamento curitibano. Do pontual cheiro do café da mãe que anunciava o início da noite. Do compartilhar de cobertores no sofá durante as gélidas noites assistindo filme. Da maciez da minha cama e do encaixe inercial que ela, tão perfeita, exerce sobre mim. Do chuveiro.. tenho saudades até do chuveiro, combinação perfeita de água quente e vapor. Do reluzente piano e de seu efeito entorpecente sobre mim. Sua música cintilante durante as tardes mornas. Dos almoços. Dos gritos de “acooorda Taaaaamy, vem almoçaaar!!” que me despertavam da típica hibernação das férias e dos fins de semana. Saudade de dormir no sofá no verão e de observar as estrelas a noite com o pai. As estrelas se tornam tímidas em Curitiba.. não conseguem competir com o ofuscância da cidade. Saudade do pai. Saudade das estrelas.
Em Guaratuba a quantidade delas, tão brilhantes, salpicadas na noite escura, também me faz querer voltar. A lua que parece estar estranhamente mais próxima e mais brilhante. A fresca brisa marinha das manhãs, pura e leve. O céu, quando não encoberto pela espessa camada de gotículas de água –típico de Guaratuba-, estonteante. O despertar com o nascer do sol no mar, lento e colorido. O pôr do sol nas montanhas que deixa as tardes rosadas. O mar. A areia gelada da praia entrando no meio dos dedos durante a caminhada nas primeiras horas da manhã. O cheiro da chuva de verão quando cai na terra quente depois de um típico dia de verão. O sorvete derretendo rápido escorrendo pela mão.
Os sorrisos dos velhos amigos ao te ver depois de muito tempo. Os abraços apertados e as lembranças tão nostálgicas da infância. O antigo colégio, a antiga rotina, tão leve. As aulas de piano que me faziam tão bem. As aulas de inglês sempre tão divertidas. Os treinos de vôlei que passavam tão depressa. As poucas preocupações. Tudo faz falta. O calmo café da manhã que eu costumava tomar assistindo ao jornal foi substituído por um café atropelado nas portas do cursinho. O estudo, que antes só acontecia no dia anterior a prova bimestral, agora é um estudo constante, contínuo e exaustivo pra prova tão distante e decisiva. As longas conversas, substituídas por simples cumprimentos virtuais. O distanciamento. A saudade.
A rotina de cursinho que rouba aos poucos detalhes da antiga vida torna-se aceitável, não há escolha. Adiciona altas doses de preocupação, mau-humor e auto-cobrança. Esvai-se o tempo, precioso. Faz abdicar de tanta coisa pra conseguir uma vaga na universidade que até parece insanidade, pois saiba que é. Insanidade movida pelo desejo de conquista, de vitória, de estabilidade, de realização pessoal e profissional. Loucura. Saudade do que me foi roubado. Saudade do que deixei que me roubassem. Simples saudade.


(Jet - Shine On)


terça-feira, 1 de maio de 2012

Incremento de Cultura.

Para quem - incrivelmente triste - não conhecem o Mundo Canibal. Vale a pena assistir.

Série: ParTOBA
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Série: As Pessoas Mais Inteligentemente Burras da Terra


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"Espero que com esse post eu possa disseminar um pouco mais de cultura sobre o mundo. Amém!"


@victorsendoda