PROPOSTA 2
A presidente Dilma Rousseff vetou, em 18/05/2012, a medida provisória que autorizaria a venda de produtos de saúde que dispensam prescrição médica, em supermercados.
Tomando como base os fragmentos dos artigos de opinião abaixo, escreva uma CARTA DO LEITOR, aos editores da Folha de S. Paulo, expondo argumentos que sustentem seu posicionamento em relação à temática : DEVE SER PERMITIDA, OU NÃO, A VENDA DE REMÉDIOS EM SUPERMERCADOS?
ESTADO-BABÁ E PATERNALISMO DE ASPIRINAS
Não há sólidos argumentos para sustentar essa reserva de mercado das drogarias. Afinal, será que o governo sabe melhor que os indivíduos como cuidar de si próprios? Será que há algum problema em comprar junto com os alimentos aquele analgésico para aliviar a dor de cabeça?
Nos Estados Unidos, é perfeitamente normal encontrar remédios nos supermercados, assim como alguns alimentos em farmácias. No Brasil, o governo representa um entrave a esse benefício, punindo justamente o consumidor que supostamente quer proteger. Como o brasileiro pode se sentir um adulto responsável, quando o governo encara como um mentecapto incapaz de escolher um simples medicamento para problemas do cotidiano? Quem outorgou tal direito aos burocratas de Brasília?
A tutela estatal é o caminho da servidão. O governo existe para nos proteger de terceiros, não de nós mesmos. Só há liberdade quando podemos assumir riscos.
(Adaptado do artigo de opinião de Rodrigo Constantino, Folha de S. Paulo, 15/05/2012)
AUTOMEDICAÇÃO E RISCO, MESMO DE ASPIRINAS
Ao pensar sobre a possibilidade de um cidadão comprar remédios em supermercados, armazéns, empórios, lojas de conveniências e correlatos, vejo que não há porque ser favorável.
Claro que seria bom, em tempos de rotina corrida, a família abastecer sua casa com todo tipo de mercadorias em um só lugar. Mas entendo que isso não compensa o risco para a saúde e a vida das pessoas. A preocupação é que a presença do remédio nas prateleiras das lojas, ao alcance das mãos inclusive de crianças, incentive a automedicação, estimule as pessoas a praticarem, sem orientação, por conta própria, o consumo desses produtos.
Os medicamentos, indiscriminadamente, são a segunda maior causa de óbitos causados por intoxicação humana, segundo dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações Tóxico - Farmacológicos (SINITOX), da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).
Permitir que estabelecimentos comerciais, alheios ao serviço farmacêutico, vendam medicamentos, sem se submeterem a exigências técnicas, é desconsiderar os avanços, já alcançados, pela regulamentação sanitária brasileira.
(Adaptado do artigo de opinião de Humberto Costa, Folha de S. Paulo, 15/05/2012)
ATENÇÃO
Sua carta deve ter, no mínimo, 20 linhas escritas.
Assine sua carta com João ou Maria.
"Caros editores da Folha de S. Paulo,
Não pretendo ser aquele inconveniente e dar 'piteco' na profissão dos senhores, mas creio que seu articulista Rodrigo Constantino veio dar o dele no meu ramo profissional - negativamente, por sinal. Portanto, sinto-me obrigado a enviar-lhes essa humilde carta.
Sou formado médico e especialista em saúde pública pela Universidade do Oeste do Paraná. Afirmo que é inadmissível que um colunista incentive a população a fazer auto-medicação - já não bastam as informações da SINITOX pela FIOCRUZ?! Caso, ainda assim, não acreditem, como a maioria da sociedade, deixe-me lembrá-los de um fato. A inovação em cura na época das duas Grandes Guerras foi a descoberta de dr. Alexander Flemming. A penicilina foi tão comumente usada, que, hoje, quase não surge efeito. Não gostam de história?! Tudo bem, aqui vai um fato atual, superbactérias. Seleção natural pelo amensalismo mal usado. Resistentes que se multiplicam com o uso errôneo do medicamento. E querem colocar no carrinho de compras tais remédios?! Do grego, "pharmakus" ou significa remédio, ou veneno, dependendo apenas da dosagem.
Apesar dos cortes de verba para a saúde pública, tenho que elogiar a presidente. O veto para tornar possível a venda de remédios - de simples 'Dorflex' a 'Amoxixilina' (esqueci de por 'nos mercados') - faz com que o nível de intoxicação, muito bem citado por Humberto Costa, não cresça. Além de conter esse possível aumento, com essa banalização, para que existiria farmacêuticos e médicos? Seria uma rasteira para conosco, assim como foi para com jornalistas por causa do repórter. E reafirmo, como doutor, para dar maior voz ao artigo 'Automedicação e risco, mesmo de aspirinas', todas as conquistas sanitárias seria jogadas ao lixo se essa medida fosse aprovada.
No geral, tenho que parabenizá-los pelo jornal e matérias, apesar do artigo 'Estado-babá e paternalismo de aspirina', qualquer coisa posso mandar uma receita-médica para o autor, pois deveria estar com muita dor de cabeça para escrever aquilo. Parabenizo também, por intermédio de vocês, o ser. Humberto Costa, pelo excelente artigo. Se não for pedir muito, uma sugestão para uma próxima abordagem : Saúde Pública no Brasil. Ficarei feliz em poder mandar outra carta. Por fim, não deixemos 'super-mercados' se tornarem 'super-vilões'.
Atenciosamente, dr. João."
Ta aí minha redação. Acho que a Tamyris vai digitalizar a redação dela. Assim espero. Enfim, nos conhecemos pessoalmente e esse encontro merece um post. Mas depois.
"Mãe Maria, passa na frente e resolve tudo aquilo que eu não consigo resolver. Amém!".
@victorsendoda
Gostei muito de seus argumentos, sem falar na linguagem irônica, a qual me identifico de certa forma. Escrevestes um ótimo texto. Parabéns.
ResponderExcluirEspero lhe ver na primeira turma de Medicina da Unioeste de F.Beltrão. Estou na torcida.
Abraço, futuro médico!
Elisa
Lendo aqui seu comentário, me lembrei que gostas de ironia mesmo. E logo veio o texto. Sorte que na carta a gente pode usar bastante, mas tenho um receio de que nem leiam meu texto. Espero que corrijam e que se apaixonem. Mas é só esperar, rezar e torcer. Muito obrigado mesmo, senhorita.
ResponderExcluirUm outro abraço, (não sei o que queres).
Papai farmacêutico te diz: se puxou no palavreado, parabéns!
ResponderExcluir?? quê?!
ResponderExcluirTá, entendi.. obrigado, sr. e senhorita.
ResponderExcluirÓtimo!
ResponderExcluirÓbrigado!
ResponderExcluirTexto simples, de argumentos pertinentes e como ja citaram, bem ironico. Meus parabens! Sua produção textual está otima e bem convincente, alem da organização estrutural do texto e a coerência. Boa sorte em sua carreira de medicina
ResponderExcluirMuito obrigado, senhor Anônimo - ou senhora. hahaha Valeu mesmo. Mas primeiro preciso entrar na carreira. hahaha
ExcluirRealmente muito bom seu texto, se não for intruso da minha parte, qual foi sua nota?
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