sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Je Suis Charlie?!

Visto os infelizes acontecimentos na França, sinto-me obrigado a escrever sobre. Creio que Charlie sonhava com um mundo não tão politicamente correto, não tão quadrado – que me perdoe P. Picasso.
Infelizmente é apenas com fatos lamentáveis como esse que temos a oportunidade de trazer mais pra perto tal problema. Não sofremos com extremismo religioso. Não somos alvos de diversos ataques terroristas. Porém, será que você já esteve encapuzado e apertando o gatilho da semi-automática, a mesma usada pelos irmãos terroristas?! Afinal, eles não são os únicos que atentam contra a liberdade de expressão. Não se deve confundir preconceito com alvo de humor, mesmo que ambos caminhem de mãos dadas. Falar do cabelo de uma mulher como uma justificativa totalmente infundada e justamente para não ter razão, é totalmente diferente de criar campos de concentração para tal diferença genética, por exemplo.
O problema começa quando se tenta arrumar algo com outro erro. Vamos a outro exemplo: Não é deixando de falar 'negros", substituindo por "afro-descendentes" que o problema da escravidão há mais de 100 anos atrás será resolvido (serviria, e já deve ter servido, como uma boa caricatura, essa imagem). E o problema aumenta quando através da discriminação se consegue algo melhor do que já tinha. Infelizmente é fácil imaginar alguém “roubando” uma vaga, para algo, de alguma coisa, de um negro, somente para se beneficiar através da discriminação e preconceito. E o contrário?! E se um negro “roubasse” uma vaga, para algo, de alguma coisa, de qualquer outra pessoa, através da discriminação e preconceito? Enfim, tudo isso para corroborar minha ideia de que o trabalho de Charlie, não se encaixa no mesmo grupo dessas imagens, desses exemplos.
A história nos comprova que liberdade, seja de expressão, qualquer outra, ou mais pura forma generalizada de liberdade, é o que todos ansiamos. Tomando como exemplo a própria França com a sua Revolução, afinal Libertè, não está a toa no lema. Então por isso que devemos levar o mundo e tudo que vem com ele, mais levianamente. “Mas Victor, fale para aqueles terroristas”. Não, é pra ti mesmo. Quantas vezes você quis barrar uma brincadeira que falava da tua cidade natal?! Ou da tua descendência?! Ou da cor do cabelo da tua namorada?! Leve mais leve, releve mais. Mas te acalma, sei que mesmo que tenha servido esse sombreiro em ti, não é por isso que és uma má pessoa. É uma natureza do ser humano de rir dos outros. Aprenda a rir de ti, que ninguém mais o vai. Afinal, tem gente que faz isso. Acredite, tem gente que paga caro sua faculdade e ouvia piadas sobre isso. Até o dia que adotou isso como “escudo”, como mascote. E então não tem como tirar mais sarro disso. Deve haver outras pessoas, ou grupos que fazem isso. Afinal, eu também já quis barrar muita coisa, afinal tenho uma descendência alvo de humor. Mas quanto mais dava atenção pior ficava pra mim. Hoje relevo mais e brinco mais. E Espero que eu não seja fuzilado quando brinco com essas caricaturas.
Espero que todos sejamos mais Charlie.
Aliás, somos todos Charlie. Je Suis Charlie.





Victor Hugo Luz Sendoda