Visto os
infelizes acontecimentos na França, sinto-me obrigado a escrever
sobre. Creio que Charlie sonhava com um mundo não tão politicamente
correto, não tão quadrado – que me perdoe P. Picasso.
Infelizmente
é apenas com fatos lamentáveis como esse que temos a oportunidade
de trazer mais pra perto tal problema. Não sofremos com extremismo
religioso. Não somos alvos de diversos ataques terroristas. Porém,
será que você já esteve encapuzado e apertando o gatilho da
semi-automática, a mesma usada pelos irmãos terroristas?! Afinal,
eles não são os únicos que atentam contra a liberdade de
expressão. Não se deve confundir preconceito com alvo de humor,
mesmo que ambos caminhem de mãos dadas. Falar do cabelo de uma
mulher como uma justificativa totalmente infundada e justamente para
não ter razão, é totalmente diferente de criar campos de
concentração para tal diferença genética, por exemplo.
O
problema começa quando se tenta arrumar algo com outro erro. Vamos a outro exemplo: Não é deixando de falar 'negros", substituindo por "afro-descendentes" que o problema da escravidão há mais de 100 anos
atrás será resolvido (serviria, e já deve ter servido, como uma
boa caricatura, essa imagem). E o problema aumenta quando através da
discriminação se consegue algo melhor do que já tinha.
Infelizmente é fácil imaginar alguém “roubando” uma vaga, para
algo, de alguma coisa, de um negro, somente para se beneficiar
através da discriminação e preconceito. E o contrário?! E se um
negro “roubasse” uma vaga, para algo, de alguma coisa, de
qualquer outra pessoa, através da discriminação e preconceito?
Enfim, tudo isso para corroborar minha ideia de que o trabalho de
Charlie, não se encaixa no mesmo grupo dessas imagens, desses
exemplos.
A
história nos comprova que liberdade, seja de expressão, qualquer
outra, ou mais pura forma generalizada de liberdade, é o que todos
ansiamos. Tomando como exemplo a própria França com a sua
Revolução, afinal Libertè, não está a toa no lema. Então por
isso que devemos levar o mundo e tudo que vem com ele, mais
levianamente. “Mas Victor, fale para aqueles terroristas”. Não,
é pra ti mesmo. Quantas vezes você quis barrar uma brincadeira que
falava da tua cidade natal?! Ou da tua descendência?! Ou da cor do
cabelo da tua namorada?! Leve mais leve, releve mais. Mas te acalma,
sei que mesmo que tenha servido esse sombreiro em ti, não é por
isso que és uma má pessoa. É uma natureza do ser humano de rir dos
outros. Aprenda a rir de ti, que ninguém mais o vai. Afinal, tem
gente que faz isso. Acredite, tem gente que paga caro sua faculdade e
ouvia piadas sobre isso. Até o dia que adotou isso como “escudo”,
como mascote. E então não tem como tirar mais sarro disso. Deve
haver outras pessoas, ou grupos que fazem isso. Afinal, eu também já
quis barrar muita coisa, afinal tenho uma descendência alvo de
humor. Mas quanto mais dava atenção pior ficava pra mim. Hoje
relevo mais e brinco mais. E Espero que eu não seja fuzilado quando
brinco com essas caricaturas.
Espero
que todos sejamos mais Charlie.
Aliás,
somos todos Charlie. Je Suis Charlie.
Victor Hugo
Luz Sendoda
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