quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Conto sem graça.


       @tamybertola


           Ai que saudaaaaaade de escrever aquiiiii.. Bom, minhas férias começaram (YAY!), e agora estou com mais tempo para me dedicar ao NMD (YAAY!), e vou tentar intercalar horas de leitura dos meus lindos livrinhos fofinhos e cheirosinhos das Cronicas de Gelo e Fogo (YAAAAAAAAAAY!) com tentativas de escrever algo criativo  :)
             Esse é um dos primeiros contos que eu escrevo e não ficou bom, vou logo avisando. Escrevi com a ajuda de um amigo, que escreveu um pedacinho e eu continuei. Deliciem-se (not) com minhas frases mal construídas e minha falta de criatividade até pra criar um título.
           

Imagine um título criativo aqui.

       Era tarde e a praia estava deserta. Ao longe podia ver luzes cintilantes que vinham do centro da cidade. A cada passo sentia o corpo estremecer ao toque com a areia fria. A solidão lhe fazia companhia e era dela que Anita precisava naquele momento. A jovem não se importava de caminhar sozinha pela penumbra da noite, mas ressoavam em sua mente os conselhos de sua tia sobre como é perigoso andar desacompanhada ultimamente.
          Avistou uma fraca luz que vinha de uma gruta localizada em um rochedo próximo. Dividida entre a vontade de subir lá e o receio do que encontraria preferiu matar sua curiosidade. A escalada fora relativamente fácil, o terreno não era muito íngreme. Se aproximou com cuidado da entrada da caverna, seu sexto sentido lhe dizia que algo estava errado ali. O cheiro de putrefação atingiu suas narinas lhe causando ânsia de vômito. O terror tomou conta de seu corpo quando viu dentro da caverna cinco corpos quase irreconhecíveis, mas claramente femininos, cobertos de moscas e vermes. Ao lado dos corpos despidos e despedaçados uma fogueira bem feita, com chamas dançantes e que brincavam no ar, testemunhava a crueldade que acontecera ali. Movida pelo desespero e com as mãos trêmulas pegou o celular de seu bolso e discou o número da polícia. Nenhuma resposta foi ouvida, a bateria tinha acabado segundos depois de ter discado o número. O desespero só aumentava. Olhou para os rostos, talvez conhecesse alguma daquelas jovens, mas era impossível distinguir algo no estado que se encontravam.
              - Quer dizer então que agora tenho visita? -Ressoou a voz na entrada da caverna.
       Num pulo Anita virou-se e por alguns segundos ficou paralisada. A voz terrivelmente familiar ecoando pelo local e os olhos para os quais ela já olhara tantas vezes a deixavam em estado de choque. Dentro dela seu coração doía de tão forte que batia. Medo. Pavor. Não conseguia acreditar que toda aquela crueldade e covardia pertencia ao padre que tantas vezes ouvira suas angústias e confissões. Anita estava paralisada. Sob a fraca luz da fogueira pode ver o brilho do revólver na mão do homem.
          -Não podemos deixar você voltar a cidade ou pra sua casa, não é mesmo Anita? Ambos sabemos o que vai acontecer se eu permitir tal coisa.
          -Por que tudo isso padre Augusto? Por que??
          -Elas precisavam de absolvição através da carne, o pecado as consumia e suas almas já estavam tão deterioradas que… tadinhas… eu só as ajudei. Eu salvei aquelas pobres meninas. - Anita estava boquiaberta, aquilo não podia ser real. - E os seus pecados, minhas filha, também te corroem. Essa angústia que sentes é sua alma clamando pela salvação. Salvação que eu posso te dar, prometo que depois de 15 minutos de alguns bons tratos seu coração já estará leve e livre do fardo do mundo do pecado.
        - Como pode, padre Augusto? Como consegue acreditar nisso? - Disse Anita, andando vagarosamente em direção ao padre - Não vês que o pecador aqui é o senhor?? Estás louco!! Tortura e mata essas moças, indefesas, que tinham a vida toda pela frente com a desculpa que as salva, mas o senhor devia salvar a si mesmo!! Estás cometendo um crime! Uma atrocidade! O senhor, que todos confiam, é um psicopata!
         A poucos metros do padre Anita suava frio e tremia, suas pernas estavam fraquejando, ela estava ficando tonta com o cheiro que parecia cada vez mais forte. Augusto mantinha sua serenidade e com seu tom doce disse:
          - Não te preocupas, minha filha, sua família não sentirás sua falta.. logo se juntarão a você.. aqueles pecadores miseráveis!
          Tomada pela raiva, Anita corre na direção de Augusto e o empurra com toda a força que consegue encontrar dentro de si tentando jogá-lo para fora da caverna. Tudo o que ela queria fazer naquele momento era matá-lo. Uma dor descomunal lhe toma o peito. Ela conseguiu o fazer cair no chão da caverna e a arma escapou das mãos do homem, mas sem antes atirar nela. Ambos estavam no chão, Augusto claramente mais forte que Anita joga a jovem para o lado e pressiona seu pescoço suficientemente forte para que ela vá perdendo o fôlego, mas lentamente o suficiente para conseguir lhe fazer sofrer por muito tempo, se assim quisesse. 
        - Não temas, minha filha, a salvação está próxima…
        - Aproveite… - conseguiu dizer Anita com a voz abafada tentando não perder a consciência.
        - Aproveitar o que, querida?
        Anita tentou completar a frase, mas já estava sem ar. Seus dedos que tentavam se livrar das mãos do agressor agora estavam fracos e ao lado de seu corpo, ela estava a ponto de desmaiar.
       - Não posso te deixar morrer assim tão rápido.. - disse Augusto aliviando a pressão que suas mãos aplicavam sobre o pescoço da jovem - Vamos ver como está seu ferimento, será que ele dói tanto quanto o pecado lhe corroendo a alma??
       Augusto aperta com a mão o local abaixo da clavícula da moça, onde a bala havia se instalado e de onde saía uma quantidade considerável de sangue. Anita estava muito tonta, seus pensamentos não faziam sentido, o ar faltava, tentava respirar mas dor a impedia de se mover. A dor a trouxe a realidade. Suas mãos começaram a percorrer o terreno em volta de seu corpo, o chão era arenoso mas tinha muitas pedras. Sua mão esquerda encontrou uma pedra relativamente grande e quando tentou pegá-la Augusto a segurou pelo braço.
       - Achas que é esperta? - Disse ele às gargalhadas
         Sorte de Anita, sua outra mão também estava preparada e munida com uma pedra um pouco menor, mas suficientemente dura para fazer um estrago na têmpora esquerda do padre. Ele quase perdera a consciência, Anita não era muito forte e mesmo estando com muita dor o golpe foi bem aplicado. Augusto rolou para o lado. Anita levantou-se com muita dificuldade, pegou a arma e apontando para o padre disse pausadamente:
         - Aproveite seu lugar no inferno, seu bastardo infeliz!!!!
         Foram as últimas palavras que Augusto ouviu, logo antes de levar quatro tiros no peito. Foram as últimas palavras de Anita proferiu, logo antes de cair no chão…. Inerte.

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