quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Here I come again..


 @tamybertola



Escrever não é jogar palavras aleatórias numa página e ordená-las. É deixar que transbordem a mente e o coração de maneira a tentar fazer-se entender. Escrevo, todavia não me entendo. Tento achar sentido no que penso e digo, mas com frequência perco-me divagando em lembranças, concepções e anseios sem sentido. Sou inconstante, peço desculpas.
         Ambicionei mudanças. Lutei exaustivamente. Persegui bravamente. Consegui. Mudei e feliz estou. Sonho realizando-se... espera... é real? A pouco me perdia em pesadelos, o que está acontecendo? Acabou? Alguém me acordou ou esse é só o sol entre duas tempestades?
Aquela horrível sensação de quando sonhamos e tentamos correr e gritar, e somos impedidos por uma impotência que resulta em uma dor estrangulante... se foi. Agora corro, grito, posso rir e deitar ao sol. Libertei-me. O pesadelo acabou... finalmente. Encontro-me anestesiada. Substituí o amargo cortisol pela doce endorfina.
Alcancei o que sempre me pareceu impossível. A viagem de destino distante foi vencida com pés cansados e mãos calejadas. Não digo que não cansei, que não pensei parar durante o caminho, pegar uma estrada alternativa até a primeira parada que encontrasse, seguir viagem com outros viajantes ou até mesmo voltar ao ponto de partida... digo que sobrevivi e aprendi com os tropeços. Cresci. Agora sou um ser saltitante com um sorriso idiotamente feliz no rosto.
Já diria um sábio e inquieto sonhador que conheci há mais ou menos dois verões: “a estrada até o topo da montanha é íngreme, há plantas venenosas, animais carnívoros, espinhos e pedras, mas a vista... aaah.. a vista do topo da montanha é realmente incrível!”. Dou-lhe razão. Quero compartilhar desta paisagem que me embarga a voz e me enche os olhos. Outros viajantes se aproximam, já vejo seus rostos cansados e ouço suas respirações ofegantes. Que sejam fortes, pois toda a força desprendida durante a subida retornará para dentro de seus corpos no momento em que sentirem o doce sabor da vitória.. esta vitória não é da guerra –esta mal começou-, mas de uma batalha interna.. e será vencida em breve, acreditem.
Agradeço a cada um que me deu a mão nesta escalada e que me puxou pra cima quando minhas pernas fatigadas não tinham forças.. a todos que me olharam fundo nos olhos e disseram pra não desistir e agarrar com unhas e dentes a grande oportunidade que surgiu inesperadamente - aceitá-la e seguir em frente foi a melhor coisa que poderia ter acontecido -. 
Há os que dizem que sou frágil, ingênua demais, e que não sou forte o suficiente para suportar o vento que sopra no alto da montanha.. para estes, digo que amo até mesmo a brisa fresca do gelado inverno polar.
Agora, acordada depois de uma tenebrosa noite de pesadelo, deixo-me transbordar e escrevo com saudades de quando isso se fazia constante. Este era meu refúgio e agradeço por ainda tê-lo. A tudo o que o NMD me proporcionou sou grata, em especial à paciência e respeito que tiveram comigo. O NMD trouxe-me sorrisos e abraços – tão raros nessa turbulenta transição inferno-paraíso -.
Pedi antes, peço mais uma vez... desculpem-me, sou inconstante e isto é inevitável. Não me fiz presente por algumas semanas -estavam sendo um tanto quanto sofridas e prometo falar a respeito delas num próximo encontro- e senti falta disto... ainda sinto. Voltarei. Não sei quando, não sei se demoro, mas voltarei. A todos os que ainda viajam desejo um rápido fim de viagem... O paraíso se aproxima, meus caros. 


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