@tamybertola
Escrever não é jogar palavras
aleatórias numa página e ordená-las. É deixar que transbordem a mente e o
coração de maneira a tentar fazer-se entender. Escrevo, todavia não me entendo.
Tento achar sentido no que penso e digo, mas com frequência perco-me divagando
em lembranças, concepções e anseios sem sentido. Sou inconstante, peço
desculpas.
Ambicionei mudanças. Lutei
exaustivamente. Persegui bravamente. Consegui. Mudei e feliz estou. Sonho
realizando-se... espera... é real? A pouco me perdia em pesadelos, o que está
acontecendo? Acabou? Alguém me acordou ou esse é só o sol entre duas
tempestades?
Aquela horrível sensação de quando
sonhamos e tentamos correr e gritar, e somos impedidos por uma impotência que
resulta em uma dor estrangulante... se foi. Agora corro, grito, posso rir e
deitar ao sol. Libertei-me. O pesadelo acabou... finalmente. Encontro-me anestesiada.
Substituí o amargo cortisol pela doce endorfina.
Alcancei o que sempre me pareceu
impossível. A viagem de destino distante foi vencida com pés cansados e mãos
calejadas. Não digo que não cansei, que não pensei parar durante o caminho,
pegar uma estrada alternativa até a primeira parada que encontrasse, seguir
viagem com outros viajantes ou até mesmo voltar ao ponto de partida... digo que
sobrevivi e aprendi com os tropeços. Cresci. Agora sou um ser saltitante com um sorriso
idiotamente feliz no rosto.
Já diria um sábio e inquieto sonhador
que conheci há mais ou menos dois verões: “a estrada até o topo da montanha é
íngreme, há plantas venenosas, animais carnívoros, espinhos e pedras, mas a
vista... aaah.. a vista do topo da montanha é realmente incrível!”. Dou-lhe
razão. Quero compartilhar desta paisagem que me embarga a voz e me enche os
olhos. Outros viajantes se aproximam, já vejo seus rostos cansados e ouço suas
respirações ofegantes. Que sejam fortes, pois toda a força desprendida durante
a subida retornará para dentro de seus corpos no momento em que sentirem o doce
sabor da vitória.. esta vitória não é da guerra –esta mal começou-, mas de uma
batalha interna.. e será vencida em breve, acreditem.
Agradeço a cada um que me deu a mão
nesta escalada e que me puxou pra cima quando minhas pernas fatigadas não
tinham forças.. a todos que me olharam fundo nos olhos e disseram pra não
desistir e agarrar com unhas e dentes a grande oportunidade que surgiu inesperadamente - aceitá-la e seguir em frente foi a melhor coisa que poderia ter acontecido -.
Há os que
dizem que sou frágil, ingênua demais, e que não sou forte o suficiente para suportar o
vento que sopra no alto da montanha.. para estes, digo que amo até mesmo a brisa
fresca do gelado inverno polar.
Agora, acordada depois de uma
tenebrosa noite de pesadelo, deixo-me transbordar e escrevo com saudades de quando
isso se fazia constante. Este era meu refúgio e agradeço por ainda tê-lo. A
tudo o que o NMD me proporcionou sou grata, em especial à paciência e respeito
que tiveram comigo. O NMD trouxe-me sorrisos e abraços – tão raros nessa
turbulenta transição inferno-paraíso -.
Pedi antes, peço mais uma vez...
desculpem-me, sou inconstante e isto é inevitável. Não me fiz presente por
algumas semanas -estavam sendo um tanto quanto sofridas e prometo falar a
respeito delas num próximo encontro- e senti falta disto... ainda sinto.
Voltarei. Não sei quando, não sei se demoro, mas voltarei. A todos os que ainda
viajam desejo um rápido fim de viagem... O paraíso se aproxima, meus caros.
To the heaven! Wait for me.
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